Programa Trilhas Potiguares atua para reforçar parcerias entre UFRN e municípios do estado
15/07/2026
Por Lucas Targino - Projeto Comtrilhas
Saída da UFRN para dar início a viagem | Foto: Fabrício Feitosa
As atividade do Programa Trilhas Potiguares da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PTP/UFRN) nas cidades selecionadas, que se iniciaram na última segunda-feira (13), representam a culminância de meses de planejamento, conversas e estreitamento de relações entre o PTP e os municípios inscritos na edição comemorativa de 30 anos do programa. Ao se fazer presente nas cidades das mais diferentes regiões do Rio Grande do Norte, o Trilhas Potiguares se aproxima cada vez mais da sociedade potiguar e reforça as parcerias com as gestões municipais, agentes indispensáveis para o desenvolvimento do programa.
A relação entre os municípios participantes e a UFRN beneficia os dois lados dessa cadeia e é construída por meio de alguns passos bem definidos e aperfeiçoados ao longo da longa história do PTP. Esses passos têm como objetivo certificar que o programa seja implementado de forma bem sucedida e padronizada em todas as localidades.
A secretária Municipal de Educação de Alexandria, Soraia Alves, destaca que “a parceria da UFRN vêm trazendo inúmeros benefícios para o município, como a formação de professores e alunos”. Segundo a gestora, a relação é “algo ímpar que traz à tona todos os benefícios dos quais o município pode usufruir. Os discentes que estão ministrando as oficinas vêm com uma bagagem de conhecimento bem elevado”. O município integra a lista de 14 cidades que receberão o Trilhas Potiguares em 2026.
O caminho até a semana de intervenção
Esse relacionamento entre a UFRN e municípios tem início propriamente dito após a inscrição municipal no edital do programa. Esse primeiro passo demonstra o interesse das cidades em receberem os estudantes e coordenadores do Trilhas Potiguares para Ação Coletiva (semana de intervenção): o período no qual as equipes visitam as localidades para desenvolver oficinas e diversas outras atividades para a comunidade local.
Após a inscrição e eventual seleção do município, ocorre a cerimônia de assinatura do convênio com a UFRN. Esse instrumento formaliza a relação entre o ente municipal e a universidade e oficializa a ciência de cada parte sobre seus deveres para a garantia do desenvolvimento fluido das ações.
Um dos principais pontos desse relacionamento é a designação, por parte das cidades, de um(a) coordenador(a) local. Essa pessoa é a responsável pela comunicação e articulação entre o município e a coordenação do Trilhas Potiguares, composta pela coordenação geral e pelos coordenadores de equipes (docentes ou servidores técnico-administrativos da UFRN responsáveis pela coordenação dos estudantes viajantes).
A definição das ações
O Trilhas Potiguares é guiado por uma metodologia baseada no diálogo. Portanto, não é a organização do programa que define o que será realizado no período de ações; essa construção é realizada de forma ativa, em conjunto com os municípios, por meio das reuniões de levantamento de demandas.
Durante essas reuniões, os coordenadores de equipes, com a articulação dos coordenadores locais, se reúnem com a comunidade dos municípios (gestores, professores, associações de moradores, profissionais da saúde, etc) para conhecer as demandas da cidade. Essas demandas representam as áreas e temáticas sobre as quais os municípios demonstram maior interesse, seja para suprir alguma necessidade ou para reforçar potencialidades. “A universidade traz o conhecimento não para impôr, mas para construir junto ao município”, afirma Luiz Alves, Pró-reitor Adjunto de Extensão da UFRN (Proex/UFRN) e Coordenador do PTP.
Após conhecer as demandas, os coordenadores de equipes fazem a seleção dos discentes que irão viajar para a semana de intervenção. Em meio às centenas de inscrições, os coordenadores são responsáveis por selecionar aqueles que melhor se encaixam nas demandas do município que estão coordenando. Portanto, uma cidade que solicitou ações na área da saúde naturalmente receberá mais estudantes da área. Essa forma de atuação reforça a extensão como uma importante forma de formação de vínculos entre a universidade e a comunidade externa
Para Letícia Carvalho, professora da Faculdade de Engenharia, Letras e Ciências Sociais do Seridó (Felcs/UFRN) e coordenadora da equipe de Frutuoso Gomes, “O Trilhas é um sucesso de 30 anos porque os municípios acreditam na universidade [...] a parceria do município é fundamental para que tudo dê certo, porque existe muito cuidado e logística. É um investimento de tempo, de energia, de dinheiro, e o município precisa acreditar que vamos atender às demandas que eles trazem”.
Semana de atuação coletiva e ações de continuidade
Durante a semana de atuação, os estudantes executam suas atividades e põem em prática as oficinas, minicursos e palestras planejadas com o objetivo de contemplar as demandas municipais. A atuação das equipes do PTP nas cidades podem ser estendidas, mediante acordo e interesse das gestões. Essa fase, denominada Ação Continuada no Município, representa uma oportunidade para execução de atividades mais extensas e detalhadas, em uma data posterior à da semana de intervenção. Na edição atual, a gestão municipal de Alexandria já demonstrou interesse.
“Nós vimos a necessidade e a importância de dar continuidade a esses momentos, como a formação de professores e oficinas de fotografia ligadas à conscientização sobre o meio-ambiente. Nós precisamos estender esses atendimentos”, declarou Soraia Alves, Secretária Municipal de Educação da cidade.
Portanto, o Trilhas Potiguares almeja atuar de maneira profunda nos municípios participantes, integrando as equipes à realidade local de forma didática e com diálogo, respeitando as particularidades das realidades encontradas. Essa filosofia põe a extensão como parte essencial para o fortalecimento da Universidade como agente de transformação social.
