Trilhas Potiguares: 30 anos levando a universidade aos territórios e trazendo os saberes do povo para dentro dela

11/09/2026

Oficina promovida pelo Programa Trilhas Potiguares, em Itajá/RN, debate práticas pedagógicas inclusivas e Atendimento Educacional Especializado (AEE), fortalecendo a formação docente e a construção de uma educação que valorize a diversidade e assegure a participação e a aprendizagem de todos.

Por Arsénio da Conceição Tesoura (Doutorando em Educação e Inclusão em Contextos Educacionais)

O Programa Trilhas Potiguares, que em 2026 celebra três décadas de existência, reafirma sua relevância como ponte entre a universidade e as comunidades dos pequenos municípios do Rio Grande do Norte. Mais do que um projeto de extensão, trata-se de um movimento de transformação social, que aproxima o conhecimento científico das demandas reais da população, promovendo desenvolvimento sustentável e inclusão.

Neste ano, tive o privilégio de integrar a equipe do município de Itajá, sob a coordenação da Profª Thazia Maria de Almeida Maia e do Prof. Sebastião de Sales Silva. Uma das demandas locais foi a realização de uma oficina sobre Práticas Pedagógicas Inclusivas (PPI) e Atendimento Educacional Especializado (AEE), que contou com a participação de cerca de 38 participantes, dentre eles os professores da sala regular, professores auxiliares e os profissionais do AEE.

Destacam-se os conteúdos abordados na oficina, que foram desde as barreiras a serem superadas até os princípios de uma educação verdadeiramente inclusiva. Esses temas suscitaram reflexões profundas entre os participantes, ampliando o debate sobre os desafios e possibilidades da prática pedagógica inclusiva.

Para além da teoria, cada conteúdo trouxe exemplos concretos que dialogam com a realidade das escolas:

  • Barreiras a superar: professores relataram dificuldades em adaptar atividades para alunos com deficiência visual ou auditiva, evidenciando a necessidade de materiais acessíveis e formação específica.
  • Estratégias práticas em sala de aula: discutiu-se o uso de metodologias ativas, como trabalhos em grupo e projetos interdisciplinares, que permitem a participação de todos os alunos, respeitando seus ritmos de aprendizagem.
  • Tecnologia assistiva: foram apresentados recursos como softwares de leitura de tela, pranchas de comunicação alternativa e aplicativos de apoio pedagógico, que podem transformar a experiência de inclusão.
  • Articulação entre professor da sala regular e profissional do AEE: destacou-se a importância de reuniões periódicas para o planejamento conjunto, evitando que o trabalho do AEE seja isolado e desconectado da rotina escolar.
  • Erros comuns a evitar: alertou-se para práticas que, embora bem-intencionadas, acabam reforçando a exclusão, como separar constantemente os alunos com deficiência das atividades coletivas.
  • Princípios de uma educação inclusiva: reforçou-se que inclusão não é apenas garantir matrícula, mas assegurar participação, aprendizagem e convivência em igualdade de condições.

Esses exemplos mostraram que a inclusão escolar exige não apenas boa vontade, mas também planejamento, recursos e mudança de cultura institucional. A oficina, portanto, não se limitou a transmitir conhecimento, mas provocou os participantes a refletirem sobre suas próprias práticas e sobre o papel transformador da escola na vida dos alunos.

Os participantes demonstraram satisfação com os temas tratados, mas também revelaram preocupações legítimas: a desinformação das famílias sobre o processo de inclusão escolar e os desafios estruturais enfrentados pelas escolas.

Principais desafios apontados pelos participantes

  1. Formação insuficiente dos professores para lidar com a diversidade;
  2. Carência de recursos pedagógicos adaptados;
  3. Infraestrutura inadequada para atender as necessidades dos alunos;
  4. Falta de colaboração efetiva entre professores da sala regular e profissionais do AEE.

Esses pontos evidenciam que, embora haja avanços, ainda existe um longo caminho a ser percorrido para que a inclusão escolar seja plena e efetiva.

A educação inclusiva é um modelo de ensino que assegura o direito de todos os alunos aprenderem juntos na mesma escola regular. Seu princípio fundamental é acolher as diferenças de cada pessoa, sejam elas deficiências, ritmos variados de aprendizagem ou origens sociais distintas. O foco principal está em adaptar os espaços e as práticas pedagógicas para que nenhum aluno seja excluído do processo educativo. Mais do que uma diretriz legal, a educação inclusiva representa um compromisso ético e social, que exige da escola e da sociedade uma postura ativa de respeito, valorização da diversidade e promoção da equidade, como as estratégias práticas em sala de aula que respeitem as singularidades dos alunos; uso de tecnologias assistivas como aliadas na aprendizagem; articulação entre professores e profissionais do AEE, garantindo planejamento conjunto e ações integradas, e sensibilização das famílias, que precisam ser parceiras nesse processo.

Defendo que a inclusão escolar em municípios como Itajá deve ser encarada como prioridade política e pedagógica. Não basta formar professores, é necessário investir em infraestrutura, recursos adaptados e, sobretudo, em uma cultura escolar que valorize a diversidade como riqueza. O Programa Trilhas Potiguares, ao completar 30 anos, mostra que a universidade pode e deve ser protagonista nesse processo, oferecendo suporte técnico, científico e humano as comunidades.

A verdadeira inclusão só será possível quando deixarmos de enxergar a diferença como obstáculo e passarmos a reconhecê-la como oportunidade de crescimento coletivo.

  • Estratégias práticas em sala de aula: discutiu-se o uso de metodologias ativas, como trabalhos em grupo e projetos interdisciplinares, que permitem a participação de todos os alunos, respeitando seus ritmos de aprendizagem.
  • Tecnologia assistiva: foram apresentados recursos como softwares de leitura de tela, pranchas de comunicação alternativa e aplicativos de apoio pedagógico, que podem transformar a experiência de inclusão.
  • Articulação entre professor da sala regular e profissional do AEE: destacou-se a importância de reuniões periódicas para o planejamento conjunto, evitando que o trabalho do AEE seja isolado e desconectado da rotina escolar.
  • Erros comuns a evitar: alertou-se para práticas que, embora bem-intencionadas, acabam reforçando a exclusão, como separar constantemente os alunos com deficiência das atividades coletivas.
  • Princípios de uma educação inclusiva: reforçou-se que inclusão não é apenas garantir matrícula, mas assegurar participação, aprendizagem e convivência em igualdade de condições.

Esses exemplos mostraram que a inclusão escolar exige não apenas boa vontade, mas também planejamento, recursos e mudança de cultura institucional. A oficina, portanto, não se limitou a transmitir conhecimento, mas provocou os participantes a refletirem sobre suas próprias práticas e sobre o papel transformador da escola na vida dos alunos.

Os participantes demonstraram satisfação com os temas tratados, mas também revelaram preocupações legítimas: a desinformação das famílias sobre o processo de inclusão escolar e os desafios estruturais enfrentados pelas escolas.

Principais desafios apontados pelos participantes

  1. Formação insuficiente dos professores para lidar com a diversidade;
  2. Carência de recursos pedagógicos adaptados;
  3. Infraestrutura inadequada para atender as necessidades dos alunos;
  4. Falta de colaboração efetiva entre professores da sala regular e profissionais do AEE.


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